E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.
Vinícius de Moraes
Se você rouba ideias de um autor, é plágio. Se você rouba de muitos é pesquisa. Wilson Mizner (1876-1933)
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Distância
cada vez sinto mais o peso das palavras nos dedos,
as agruras da vida nos lábios selados,
o corpo à deriva num mundo a cores,
cada vez me sinto mais à toa e perdida,
entre ruídos escandalosos a martirizarem-me os sentidos
Sei que é este o caminho para a distância,
o que percorro sem ti, sem o teu amor, a tua paixão,
os teus desejos, os teus abraços, os teus mimos, o teu calor,
é o que percorro quando sei que não me vais voltar a ler,
que já não estás aí desse outro lado,
que os meus passos se tornaram sombras
e deixei de fazer barulho em tua casa
Cada vez te escuto com menos atenção,
cada vez ouço melhor os sinos e o comboio
e os miados desesperados dos gatos vadios,
as estrelas a caírem de um céu agreste,
os gemidos da lua com saudades do sol,
cada vez te sinto ainda muito mais longe,
por isso sei que é este o caminho para a distância
(Vinicius de Morais)
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