Tons de Azul
Se você rouba ideias de um autor, é plágio. Se você rouba de muitos é pesquisa. Wilson Mizner (1876-1933)
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Se Eu morrer ...
Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.
Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.
Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.
Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.
Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.
Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.
Rosa Lobato de Faria
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
sexta-feira, 22 de março de 2024
Mas afinal, o que se leva da vida, senão os remorsos?
"Remorsos do que poderia ter sido e não foi, e do que se perdeu depois de ter sido. Remorsos do que devia ter sido dito e feito, e não o foi a tempo, ou do que foi demasiadamente dito e feito. Remorsos destes eternos desencontros, desta sensação de que nada existe no seu tempo certo, de chegar sempre tarde ou partir cedo demais.”
Miguel Sousa Tavares
sábado, 4 de novembro de 2023
Medo
Perdi - te, e comecei a ter medo.
Medo de sair para a rua, porque em casa me sinto segura.
Medo de andar de carro, porque posso ter um acidente.
Medo de ir de férias no verão, porque há incêndios por todo lado e isso me apavora.
Medo de sair de inverno, porque tem chuva e inundações.
Medo de andar de moto porque é perigoso.
E comecei a ter medo de ter medo.
quinta-feira, 22 de junho de 2023
Angústia
Há dias de tanta angústia
Que não sei do que ela é.
Não sei se me sobra o sonho.
Não sei se me falta a Fé.
É uma angústia que nasce,
Como de um solo, de mim,
Que parece ser eu todo
Com razão de ser assim.
E esmaga-me toda a alma,
Confunde todo o meu ser
E tudo gira em meu torno
Sem eu o compreender.
Mágoa como um portão velho,
Ferrugem da quinta em fim,
É uma angústia que cai,
Como num solo, por mim…
(Fernando Pessoa)
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