
Passavam das nove quando, como todas as noites, David se meteu na cama da sua mãe e se aconchegou a seu lado. Como gostava daquele calor tão familiar e ao mesmo tempo tão especial!
Olhou para ela de soslaio e perguntou-lhe:
-Mamã, de que cor são os beijos?
-Os beijos? Pois... ora... os beijos podem ter muitas formas e cores. Na verdade, mudam de cor consoante o que nos querem dizer. Alguns beijos, meu menino, são pequenos, barulhentos, divertidos e muito, muito brincalhões. São de um vermelho brilhante como... como as cerejas! E dizem-nos: "Gosto de ti pela tua alegria, frescura e vitalidade".
-Ah, como as cerejas que pomos nas orelhas como se fossem brincos! - disse David.
-É isso mesmo! Também há momentos, meu menino, em que os beijos são suculentos e estão cheios de vitaminas cor-de-laranja. São os que nos abraçam com força e dizem: "Bom dia, toca a acordar!".
-Já os conheço! -Interrompeu David. São os que me dás quando me dizes:
"Vou-te comer com beijos!", não é mamã?
-Sim, são esses!
-E de cor amarela, mamã? Existem beijos de cor amarela?
-Pois claro! Nos dias em que os beijos são cálidos e intensos, a sua cor amarela brilha como o sol.
É quando nos dizem como gostam do nosso carinho e companhia.
-Ah, sim! E nos oferecem abraços e carícias...
Gosto muito desses, mamã - disse David.
-Mamã, e os que fazem cócegas na orelha, nas bochechas e no pescoço?
Esses são de que cor?
-Ora... esses...
Esses são os que se mexem ao ritmo da música e são de um verde luminoso como os campos e os bosques quando sopra o vento. Os beijinhos verdes adoram a vida e gostam de ver respirar e crescer os seres queridos.
A mãe, vendo que o David estava a fechar os olhos, baixou a voz e continuou:
- Às vezes, por outro lado, os beijos são demorados e tranquilos, de um azul suave e fofinho como o céu. São os que nos explicam que o seu amor é profundo, sem limites, um amor tão grande que, olhes para onde olhares parece que nunca acaba.
- E podem chegar à Lua? - Perguntou o David.
- Claro que sim! - Respondeu a mãe.
- E sabes? Muitas vezes são também de um lilás escuro e misterioso. São os beijos que nos consolam quando estamos tristes ou confundidos ou não sabemos que fazer ou para onde ir e nos dizem:
"Não te preocupes, que eu vou estar sempre ao pé de ti".
David, fazendo um esforço para não fechar os olhos, exclamou:
- Mamã, os beijos são da cor do Arco-íris!
A mãe olhou para ele, sorriu e beijou-lhe a testa. Com um murmúrio David voltou a perguntar:
- E este, mamã? De que cor era este beijo?
A mãe sussurrou-lhe ao ouvido:
-Este, meu filhinho, era um beijo de "Boa Noite", branco como a neve e queria exprimir-te como eu gosto do silêncio, da paz e da calma que sinto ao teu lado. E, sabes como nasceu a cor branca, David?
De um beijo que deram todas as cores do Arco-íris.
(Elisenda Queralt)